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25/1/2010 - 09:41:00 - Visão Hierárquica
Autor: Luciana Ghidetti de Oliveira
Foi realizada uma pesquisa pela Futura com os moradores da Região Metropolitana da Grande Vitória a fim de captar a percepção dos capixabas sobre a importância da influência e da posição social no Brasil, ou seja, para saber se o capixaba considera que a sociedade é hierarquizada, caso a posição social predomine sobre as leis e o direito de cada cidadão, ou se a sociedade brasileira é igualitária.
Tal pesquisa busca identificar se existe o contraponto no discurso do brasileiro que, por um lado exalta o jeitinho brasileiro como inerente à nossa cultura, ou seja, o jogo de cintura do brasileiro para conseguir driblar normas e leis, por outro, em detrimento da valorização do status, dado pelo poder de influência que a pessoa possui na sociedade ou posição social, conforme exposto por Roberto DaMatta no livro Carnavais, Malandros e Heróis.
DaMatta põe em questão o fato do brasileiro prezar pelas “associações espontâneas, livres e amorosas dos futebóis, cervejas na praia, carnavais e samba”, em contraste com o fato de tentar esconder o caráter hierárquico intrínseco à sociedade em que “cada qual deve saber o seu lugar” que está claramente presente em comportamentos usados/validados pelos cidadãos, como o usual “sabe com quem está falando?”.1
Na pesquisa, é possível notar como o cidadão reconhece esse comportamento na sociedade, mas não assume o comportamento em si mesmo, validando o argumento que DaMatta defende da inconveniência desse aspecto, da tentativa de escondê-lo e negá-lo.
A pesquisa foi dividida em três etapas, em que o entrevistado é questionado se a valorização da influência/posição social e o uso dela está presente primeiramente no comportamento do brasileiro, em seguida das pessoas de seu convívio e, por fim, no dele próprio.
Dessa forma, pela tabela síntese abaixo, podemos notar que o capixaba reconhece a presença da hierarquia na sociedade brasileira, contudo minimiza esse comportamento em seu convívio, e em todas as questões apenas um terço admite possuir esse comportamento. É importante notar também que mais de 50% responderam que eles mesmos nunca têm essa postura.
Luciana Ghidetti de Oliveira é economista e analista de pesquisas da Futura
3235-5442 / 8817-2826
luciana@futuranet.ws
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