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PESQUISAS - SEMANAL

  14/6/2010 - 09:38:00 - Voluntáriado

Autor: Dihego Pansini de Souza

No dicionário Aurélio, o significado da palavra voluntário é aquele “que age espontaneamente; derivado da vontade própria, em que não há coação”. Sobre a palavra voluntariado, em um breve levantamento na internet pode-se encontrar a seguinte definição: “trabalho voluntário é toda atividade desempenhada no uso e gozo da autonomia do prestador do serviço ou trabalho, sem recebimento de qualquer contraprestação que importe em remuneração ou auferimento de lucro”. Se continuarmos a investigação a respeito deste tema, muitas outras definições podem surgir. Contudo, a última definição parece estar bem próxima daquilo que está disseminado na cabeça das pessoas atualmente.

É cada vez mais forte nas empresas a valorização do trabalho voluntário, inclusive, em muitos processos seletivos, as empresas perguntam se o profissional participa ou já participou de algum trabalho voluntário. Isso se deve à forte tendência de valorização dos aspectos sociais, reforçados principalmente após a última crise financeira iniciada nos Estados Unidos. Diante disso, a Futura Pesquisa e Consultoria foi às ruas identificar diversos aspectos relacionados à opinião e ao envolvimento da população a respeito do voluntariado.

De acordo com a pesquisa realizada, 43% da população da Grande Vitória conhece alguma instituição que realiza trabalhos beneficentes. As pessoas que cursam ou cursaram o ensino superior são as que mais conhecem alguma instituição beneficente: 70,1% desses afirmam conhecer, contra 41,3% dos que estudaram até o ensino médio e 31,6% de quem estudou até o fundamental.

As entidades mais lembradas, entre os capixabas que afirmaram conhecer alguma instituição beneficente (43%), são: a Apae (25,4%) que continua sendo a mais lembrada desde o início da pesquisa em 2001, a Acacci (10,4%), a Igreja Católica (5,8%), a LBV (5,8%) e a Afecc (4,6%), fechando as cinco primeiras. Vale ressaltar que tanto a Igreja Católica quanto a Acacci são citadas principalmente por pessoas da classe A/B com 14,6% e 22%, respectivamente, bem acima da média das instituições, com 5,8% e 10,4% cada.

Quando se trata de instituições beneficentes, os moradores da Grande Vitória confiam mais nas instituições religiosas (35,3%) e nas ONGs (16,2%). Contudo, em relação a aferição de 2008, a avaliação das instituições religiosas caiu 6,6 pontos percentuais.

As escolas e as universidades com 13,9%, as empresas com 8,7%, as associações de bairro com 8,1%, o governo com 4,6% e os sindicatos com 2,9% são as instituições menos acreditadas. Apesar de as instituições religiosas terem uma composição fortemente marcada pelas classes mais populares, a confiança nelas é mais forte entre o público A/B (48,8%) do que entre o público D/E (28,9%).

Uma das informações de destaque que essa pesquisa levantou foi o aumento do percentual de pessoas que fazem doações para alguma instituição beneficente. Em 2008, 58,1% dos respondentes doavam, agora em 2010, com um ligeiro crescimento, esse número foi para 59%. A Apae (18,6%), a Acacci (12,7%), a LBV (7,8%), a Igreja Evangélica (7,8%) e a Igreja Católica (6,9%) são as instituições que mais recebem as contribuições.

O capixaba está mais atuante no trabalho voluntário, pois a participação da população entrevistada passou de de 12,7% em 2008 para 15,7% em 2010. As principais áreas de atuação dos voluntariados são a religiosa (28,6%), pessoas carentes (14,3%) e crianças (14,3%). A maior parte dessas pessoas atuantes no voluntariado se dedica de duas a quatro vezes por semana (34,9%), uma vez por semana (22,2%) e uma vez por mês (12,7%). A Igreja Evangélica é a principal instituição escolhida para os trabalhos voluntários, com 19% de citações.

Entre as pessoas que não participam de nenhum trabalho voluntário ou que não responderam a respeito (84,3%), 61,9% afirmaram que gostariam de participar. As principais áreas escolhidas foram: crianças (23,8%), esporte (21%), pessoas carentes (17,1%), assistência social (13,8%), educação (11%) e meio ambiente (10%). Por fim, a falta de tempo é o motivo alegado por 43,9% dos respondentes para não realizar nenhum trabalho voluntário, 18,7% afirmaram que não tiveram oportunidade e 7,7% demonstram sinceridade ao afirmar que não têm interesse.

Dihego Pansini de Souza é economista e analista de pesquisa da Futura
3235-5434/ 9869-9465
dihego@futuranet.ws

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