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17/5/2010 - 08:53:00 - Finanças Pessoais
Autor: Dihego Pansini de Souza
O primeiro passo para uma vida financeira saudável é o planejamento. Em meio à crescente onda de cheques especiais, cartões de crédito, cheques pré-datados, parcelamentos a perder de vista e demais facilidades financeiras disponíveis à população, o grande desafio é manter-se imune ao processo de endividamento.
O fato de muitos dos capixabas (76,9%) afirmarem que fazem algum controle de contas a pagar e a receber não é suficiente para impedir que mais de metade (62,2%) já tenha fechado o mês com mais contas para pagar do que o que tinha para receber (fechar no vermelho). O controle da vida financeira tem forte relação com escolaridade e renda, pois entre o público A/B (82,4%) e entre as pessoas com ensino superior (86,6%) o percentual de pessoas que afirmam ter algum controle está acima da média geral. Além disso, quando observados os entrevistados que “fecharam no vermelho” no final do mês, entre o público da classe D/E (67,5%) e entre os que possuem ensino fundamental (68,4%) essa realidade parece ser mais intensa.
O controle das finanças pessoais deve ser entendido como algo além daquilo que compramos e recebemos mês a mês, ou seja, a visão de curto prazo não deve ser o único caminho na hora de planejar as finanças. Contudo, projetar a vida financeira para o futuro parece ser algo que ainda não ocorre de maneira consolidada entre os capixabas, de acordo com a pesquisa realizada pela Futura Pesquisa e Consultoria, pois 68,9% afirmaram que se preocupam ou se preocuparam com a aposentadoria, mas apenas cerca da metade (49,8%) dos entrevistados planeja ou já planejou a vida financeira para depois que parar de trabalhar.
O sistema de previdência pública é o maior, mas não o único meio de se garantir uma boa aposentadoria. Na verdade, atualmente existem fortes críticas ao modelo de previdência pública vigente no país. A expectativa de vida do brasileiro tem aumentado ao longo dos anos e, tendo em vista que os atuais aposentados são financiados pelos atuais trabalhadores, o processo de aumento da longevidade da população tem causado desequilíbrios no atual modelo. Levando-se em consideração as atuais limitações desse sistema de previdência, é ainda mais relevante para a população identificar mais formas de garantir um futuro tranquilo. Contudo, de acordo com a pesquisa, apenas 36,1% dos capixabas afirmaram ter ou que terão na aposentadoria a renda que gostariam, ou seja, a questão do investimento de forma sistemática em aposentadoria ainda não é uma realidade e isso tem se refletido na renda dos aposentados.
Em relação aos investimentos, para 31,6% dos respondentes adquirir imóvel para morar ou investir é a prioridade de investimento no momento. Esse item tem uma forte relação com a renda, pois enquanto entre o público A/B esse percentual é de 18,9%, entre o público D/E esse percentual chega a 37,6%. Além disso, investimento em educação própria também foi identificado como uma das prioridades para 11,2% dos entrevistados e apresenta uma relação com escolaridade. Entre o público com ensino fundamental, o percentual é de 6%, enquanto entre os entrevistados com ensino superior esse percentual chega a 16,4%.
Na prática, do total dos entrevistados, 45% costumam aplicar as economias. Os homens são os principais aplicadores, pois entre esse público 51,3% costumam aplicar, enquanto que entre as mulheres esse percentual é de 39,2%. A relação com a renda também fica evidente, pois entre o público A/B 51,4% costumam aplicar, enquanto entre a classe D/E esse percentual é de 40,1%. O principal motivo das pessoas que não aplicam (54%) é o fato de não sobrar dinheiro (62,7%). Entre os moradores de Vila Velha, esse motivo chega a 73,3% das citações, além de que quanto menor a escolaridade e renda maior é o percentual de citações em relação à falta de dinheiro.
O perfil de investimento dos entrevistados é direcionado a alternativas mais conservadoras e seguras. Segundo a pesquisa, entre os que costumam aplicar as economias (45%) 68,5% utilizam a poupança como forma de investimento e 15,5% aplicam em imóveis. O conservadorismo em relação aos investimentos está diretamente ligado à renda, pois quanto menor a renda mais as pessoas optam por investir em poupança. Por outro lado, enquanto que entre a classe D/E não houve nenhuma citação em relação a ações/bolsa de valores, entre o público A/B esse percentual chega a 10,5%.
Reforçando a análise, é possível constatar que, de fato, de acordo com a maioria dos entrevistados, imóveis (42,8%) e poupança (34,3%) são as formas mais seguras para realizar investimento. O que demonstra que realmente os capixabas que investem optam por alternativas que entendem ser mais seguras.
Dihego Pansini de Souza é economista e analista de pesquisas da Futura
3235-5434 / 9869-9465
dihego@futuranet.ws
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