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10/5/2010 - 11:39:00 - Relacionamento entre pais e filhos
Autor: Luciana Ghiedetti de Oliveira
Notícias veiculadas na mídia a respeito de casos de violência envolvendo pais e filhos escandalizam a sociedade e levantam questões sobre as mudanças na forma do relacionamento entre pais e filhos. Segundo a pesquisa realizada pela Futura, é possível perceber que a população capixaba reconhece os efeitos nocivos da violência na relação entre pais e filhos, mas acredita que a violência está presente no relacionamento.
A parcela de pessoas que possuem filhos, segundo a pesquisa, é de 63%, sendo que dentre os entrevistados de nível fundamental e das classes D e E, a parcela dos que são pais é maior (78% e 66% respectivamente).
A maior parte dos respondentes considera que o relacionamento com seu filho é melhor se comparado com o relacionamento dele com o pai (64%), 23% consideram que tais relacionamentos são equivalentes, enquanto apenas 10% o consideram pior. Nas faixas etárias de 30 a 39 anos e de 40 a 49 anos, a parcela dos que acreditam que o relacionamento é melhor é de 68% e 73%, respectivamente.
As principais causas de desentendimento entre pais e filhos, apontadas pela pesquisa, são: falta de diálogo (52%), envolvimento com drogas (45%), desobediência (33%), falta de respeito (24%) e falta de educação (15%). É possível observar que a parcela de pessoas que apontam a falta de diálogo é ainda maior entre os respondentes de nível superior (61%). Já entre os que possuem nível fundamental, a causa mais apontada é o envolvimento com drogas (42%).
Para os entrevistados, os pais perderam total ou parcialmente a autoridade que têm sobre os filhos (79%), e 20% não acreditam que esse fato tenha ocorrido. Além disso, 52% não apoiam a ideia de que bater nos filhos é necessário para corrigi-los, apesar de uma parcela considerável (48%) apoiar essa atitude, ainda que em apenas algumas situações.
Os entrevistados (60%) acreditam que os pais, muitas vezes, envolvem seus filhos nos problemas conjugais, utilizando-os, em algumas situações, para resolver tais problemas. Dentre os que possuem nível superior, essa opinião é ainda mais difundida (66%).
Para 49% dos respondentes, casos como o do pai que jogou as filhas da ponte de Nova Almeida para penalizar a mãe é mais comum nos dias de hoje, enquanto 39% acreditam que é apenas mais divulgado atualmente.
Segundo a pesquisa, os filhos vítimas de violência e/ou que presenciam violência entre os pais constantemente podem se tornar sujeitos violentos (67%), sujeitos depressivos (34%), usuários de drogas (29%) ou sujeitos inseguros (28%).
Os pais que usam de violência com seus filhos devem ser punidos de acordo com 76% dos ouvidos pela pesquisa, enquanto 16% são favoráveis dependendo da situação e apenas 8% acham que não deve haver punição.
A punição que deveria ser imposta no caso de violência com os filhos é prisão (segundo 28%); reeducação social, grupo de apoio e terapia familiar (22%); ou prestação de serviços à comunidade (13%).
Luciana Ghidetti de Oliveira é economista e analista de pesquisas da Futura
3235-5442 / 8817-2826
luciana@futuranet.ws
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