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13/7/2010 - 9:27 - Competividade Capixaba
Autor: Orlando Caliman
O conceito de competitividade, principalmente quando estamos tratando de relações entre países ou mesmo de suas divisões político-administrativas internas, como estados, províncias ou municípios, é comumente carregado mais fortemente pelo componente econômico. Assim, um determinado território pode ser avaliado como mais competitivo que os demais a partir da sua capacidade comparativa em efetivamente exercer certo domínio no campo das relações econômicas. E esse domínio acontece na oferta de condições que determinam o podemos chamar de eficiência produtiva, num sentido bem amplo, pois abarca várias dimensões da realidade. Portanto, ser competitivo é galgar níveis crescentes e superiores de eficiência em relação aos demais participantes do “jogo” econômico.
Hoje, muito mais do que no passado, as chamadas condições de natureza intangível, expressas, sobretudo, pelo aporte e produção continuada do conhecimento e suas aplicações, aparecem como fatores diferenciadores. Daí a supremacia de fatores como educação básica e educação avançada. São aqueles fatores que facilitam ou proporcionam avanços na direção níveis mais elevados de sofisticação dos negócios e também na divisão do trabalho na sociedade. E é para onde devemos caminhar, sob pena de sermos atropelados pelo tempo. Isso, naturalmente, não ofusca e não elimina a importância de fatores como infraestrutura, que faculta a circulação de bens e serviços.
No caso específico do Espírito Santo, por exemplo, acreditamos que podemos avançar de forma significativa na nossa eficiência produtiva, portanto, na nossa competitividade, a partir da infraestrutura. Aliás, isto é válido também para o Brasil. Sem dúvida, seria a forma mais rápida de ganharmos mais eficiência, enquanto fatores de natureza mais qualitativa, de maturidade temporal mais longa, possam ser trabalhados, como a qualidade da mão-de-obra e das instituições, e a capacitação para a inovação.
Na condição de ente sub-nacional, como estado de uma federação, na corrida para ganhar competitividade, o Espírito Santo se defronta com alguns condicionantes externos que se lhes mostram peculiares. Talvez o mais preponderante deles seja representado pela fragilidade no domínio sobre as variáveis que compõem as decisões de natureza política. E estamos nos referindo especialmente às decisões que envolvem investimentos em infraestrutura, nos mais diferentes modais – aeroviário, ferroviário, rodoviário e portuário -. Exatamente onde dispomos de maior potencial de ganhos mais imediatos de competitividade. No entanto, é onde estão os nossos grandes obstáculos ou nossos “elos faltantes” – “missing links” – como bem disse certa vez o grande estrategista em logística Eliezer Batista. Não há como ser competitivo, por exemplo, com o aeroporto e BRs que dispomos.
Observando a competitividade capixaba numa perspectiva sistêmica vamos encontrar situações diferenciadas quanto ao exercício efetivo do domínio sobre variáveis e processos decisórios. Naturalmente, o domínio é menor em questões ligadas ao sistema econômico, nos seus mecanismos de operação, as macro-políticas. Todavia, é maior em sistemas como da educação, saúde e gestão pública. Nesses, o estado pode decidir quanto e como investir. Já na infraestrutura, carecemos de escala política.
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