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ARTIGOS E NOTAS

1/3/2010 - 10:52 - Pedras no Caminho

Autor: Orlando Caliman

A realização de mais uma versão da Feira Internacional do Mármore e Granito – A Vitória Stone Fair 2010 -, por sinal, bela, ampla, diversificada e verdadeiramente global, reafirma o potencial que representa o segmento de rochas ornamentais para o desenvolvimento da economia capixaba. No bom sentido, e também num sentido figurado, são pedras no caminho, são pedras que compõem e ao mesmo tempo integram um complexo mosaico de atividades e oportunidades que se interconectam em redes de relações técnicas, sociais, institucionais, políticas e culturais.

Na verdade, a Feira sintetiza de forma concreta e viva o “estado da arte” do nosso mais completo e também complexo arranjo produtivo local. Carrega ainda a simbologia da modernidade ao expor o que há de mais avançado e mais atual em termos de conhecimento, tecnologia e tendências de mercado. Apresenta-se também como expressão da criatividade e da capacidade de inovar e empreender. Em suma, podemos vê-la como uma vitrine exposta ao mundo.

Para mim, que sempre acompanhei a feira desde a sua primeira versão, talvez seja até mais fácil perceber e avaliar a sua trajetória e os seus avanços. Torna-se fácil, por exemplo, representá-la no imaginário, nas suas sucessivas versões. Recordo-me, por exemplo, da sua primeira aparição. Naturalmente, modesta e tímida aos olhares de hoje, mas que à época, já sinalizava para algo inovador que serviria de referência para um promissor setor de rochas ornamentais; indicava o “caminho das pedras”.

Quando iniciativas dão certo, e podem ser as mais diversas, inclusive aquelas individuais, diz-se que é porque condições ou fatores favoráveis estiveram presentes. Assim, podemos ver no sucesso da feira não somente o sucesso da feira em si, mas de todo um conjunto fatores, atores e elementos que facultam a construção de um ambiente favorável. São como virtudes, que forjadas no tempo, enquanto construção, e de forma coletiva, consolidam avanços de forma continuada. Dessa forma, vejo a feira como um campo da expressão do estado do conhecimento do setor, da qualidade do capital humano, da capacidade empreendedora, da virtude da conectividade, que a insere num mundo globalizado, e da qualidade das instituições, que lhe assegura longevidade.

A Vitória Stone Fair mostra também o seu lado simbólico de um novo ciclo da economia capixaba; um ciclo virtuoso, que vem marcado, sobretudo, por uma maior inserção competitiva. Enquanto espelho de um arranjo produtivo, ela revela a capacidade das empresas reagirem e se reposicionarem no mercado, depois da forte crise. E esse reposicionamento pôde ser observado não somente na abertura de novos mercados, mas também na introdução de inovações relacionadas a produtos e a processos produtivos mais eficientes. Nesse aspecto, a crise provocou ajustes que agora se revelaram fundamentais para novas conquistas de mercado. Prova isso a importância dada à feira por empresários de mais de cinqüenta países.
Ela mostra ao mundo as pedras do Espírito Santo, mas, principalmente o que os capixabas fazem com elas. Revela também a capacidade empreendedora de se produzir uma feira, que, sem dúvida, já a coloca no topo ranking internacional.


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