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ARTIGOS E NOTAS

1/2/2010 - 9:07 - Ciclo Virtuoso

Autor: Orlando Caliman

O Brasil está em pleno círculo virtuoso de crescimento e desenvolvimento, nunca antes observado. E podemos identificar vários fatores e condições que permitem avaliar que esse ciclo poderá se estender por muitos anos à frente. Naturalmente não sem exigir ajustes e algumas correções de percurso, que se espera, comporão o quadro de temas a serem levados para a arena política nas eleições deste ano.

Muito provavelmente não teremos posicionamentos extremos entre as propostas dos candidatos mais competitivos, especialmente no campo econômico. Isso assegurará uma transição ou passagem mais tranquila, porém, não sem mudanças, que deverão ser implementadas no desenrolar do próximo ciclo de gestão: Serra ou Dilma, até o momento, ou quem se habilitar para tanto.

Se fosse dada ao mercado a opção de uma escolha mais ampla, certamente nenhum dos dois concorrentes que estão no páreo hoje estaria no topo da lista. O primeiro pela já revelada intenção de rever as políticas monetária, fiscal e cambial. Serra, desde sua participação no Governo de Fernando Henrique Cardoso sempre tem se posicionado a favor de uma política monetária de juros baixos, de uma política mais precavida e seletiva de gastos públicos, e de um câmbio mais ajustado às necessidades de crescimento e diversificação das exportações. E Dilma, pela incerteza quanto à sua capacidade de administrar as alas mais radicais do seu partido e articular a sua base de sustentação no Congresso, bem como também conter o acelerado crescimento da máquina estatal.

Quanto a Serra, até pelo seu profundo conhecimento de política econômica, na minha avaliação, são esperadas mudanças de maior impacto na arena das decisões econômicas. Juro baixo, câmbio mais ajustado e controle de gastos devem resultar, num primeiro momento, em crescimento menor. Mas, de outro lado, sinalizaria para um horizonte de maior estabilidade no longo prazo. O fato de ser profundo conhecedor de economia e especialmente de política econômica talvez possa não ser a sua grande vantagem. Esse atributo, poderá levá-lo a uma projetar uma influência mais direta na formulação e implementação da política econômica. Nesse caso, o mercado tenderá a observá-lo mais de perto.

A economia – leia-se estabilidade econômica -, tanto para FHC quanto para Lula, foi a grande âncora; que explica também os avanços sociais alcançados, especialmente por conta do acesso de um grande contingente da população ao mundo dos incluídos na economia de mercado. As expectativas em relação ao próximo período de gestão parecem formar um consenso em torno da idéia de que não se deve efetuar manobras bruscas. O que significa dizer que o modelo em curso deve ser mantido, pelo menos no seu eixo central e na suas partes mais sensíveis a movimentos de mudanças, e dentre elas a economia; naturalmente com ajustes de percurso.

E tais ajustes devem, por exemplo, levar em conta que o que dá sustentabilidade ao crescimento econômico e ao desenvolvimento são os investimentos, tanto públicos quanto privados. Mas, que para isso também o país precisa criar mecanismos de geração de poupança – pública e privada -, reduzindo assim a sua dependência de fontes externas.


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