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Autor: Orlando Caliman
Muito provavelmente os historiadores econômicos, de gerações futuras, compreenderão o ciclo atual de desenvolvimento da economia brasileira sem fazer uma distinção clara entre os períodos de governo de Fernando Henrique Cardoso e de Lula. Certamente tratarão como um único ciclo, onde o período Lula não se confirmaria plenamente sem um período anterior FHC. Ou seja, no conjunto da obra, a conquista da estabilidade econômica na primeira parte do ciclo abriu caminho para que ganhos alcançados no campo da economia resultassem em avanços no campo social. Agora, após o teste da crise, as condições objetivas para se pensar um futuro melhor para o país estão colocadas. No entanto, novos desafios se apresentam.
Não há como creditar a um ou a outro a exclusividade das conquistas. Vale ressaltar, por exemplo, que sem o aniquilamento do “dragão” do século XX, a inflação, não haveria condições objetivas para se avançar. Não haveria como obter ganhos de poder de compra para a massa salarial, sem um mínimo de estabilidade de preços. Como também não haveria como o Brasil fazer a sua inserção na economia global, beneficiando-se do seu virtuoso ciclo, em especial no limiar do século XXI, sem uma estabilidade política casada a uma estabilidade econômica.
A inflação, sem dúvida foi nosso grande obstáculo ao exercício do pensar o futuro da nação e também construir condições para que de fato o desenvolvimento pudesse acontecer. Além de maltratar de forma contínua os assalariados, ela gerava um ambiente extremamente instável, para não dizer nebuloso, para as empresas. Felizmente, hoje, podemos acreditar que o “dragão” que nos importunou por mais de século, está sob o domínio não somente do que poderíamos chamar de governança pública, através de mecanismos eficientes de controle, mas também social, na medida em que a própria “cultura da inflação” – antes predominante – saiu do imaginário geral da população.
Outro grande obstáculo que o país conseguiu ultrapassar, e que sempre se constituiu em entrave para o seu desenvolvimento, aconteceu no campo da produção da energia. Até recentemente dependente de importações de petróleo, hoje, se posiciona como auto-suficiente e com grande potencial de transformar-se em exportador líquido do produto. E mais que isso, colocando-se celeremente na fronteira do desenvolvimento de tecnologias de produção de novas fontes energéticas, como no caso da bioenergia – biodiesel e etanol -.
A crise financeira global na verdade encontrou o Brasil sem o problema da instabilidade e sem a dependência externa de suprimento de energia, em especial de petróleo. Além, é claro, de uma democracia estável e de um Estado, que mesmo apesar de suas deficiências, consegue produzir um ambiente favorável ao desenvolvimento. Agora, as condições estão dadas para se pensar o futuro. Todavia, não se deve pensar o futuro com base em modelos, ideologias, visões e práticas que se revelaram incapazes de produzir avanços no passado, mas de questões que possibilitem o posicionamento de âncoras sólidas à frente do tempo. E aqui estamos falando principalmente de questões como educação, desenvolvimento tecnológico, inovação. Todas elas tem em comum o conhecimento, a dimensão que faz a diferença no presente, mas que fará ainda mais, no futuro.
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